As varizes não têm “cura” no sentido de desaparecerem para sempre, porque a doença venosa é crônica: existe uma tendência, muitas vezes herdada, de as veias das pernas se dilatarem e funcionarem mal. Mas isso não significa que não haja o que fazer. O tratamento pode eliminar as veias doentes que existem hoje, aliviar sintomas como peso, dor e inchaço, melhorar a aparência das pernas e reduzir o risco de complicações. Com o passar dos anos, novas varizes podem surgir, e por isso o acompanhamento periódico faz parte do cuidado.

O que são varizes

Varizes são veias dilatadas, tortuosas e visíveis sob a pele, mais comuns nas pernas. Elas aparecem quando as válvulas das veias, pequenas “portinhas” que impedem o sangue de descer, deixam de fechar direito. O sangue, que deveria subir em direção ao coração, passa a refluir e se acumular, e a veia vai se alargando.

Esse quadro faz parte da chamada insuficiência venosa crônica, que vai desde os vasinhos finos, as telangiectasias, até varizes grossas, inchaço, manchas na pele e, nos casos mais avançados, feridas. Para entender melhor os sintomas, veja o artigo sobre perna pesada e cansada.

Por que se diz que a doença é crônica

A variz é o sinal visível de uma condição de fundo. Vários fatores contribuem para ela:

  • predisposição familiar, que é um dos fatores mais importantes;
  • idade;
  • gestações e fatores hormonais;
  • ficar muitas horas em pé ou sentado sem se movimentar;
  • excesso de peso;
  • trombose venosa anterior.

O tratamento age sobre as veias que já estão doentes. Ele não muda a genética nem os outros fatores que levaram ao problema. Por isso, mesmo depois de um tratamento bem-sucedido, outras veias podem, com o tempo, começar a falhar.

O que o tratamento resolve

Quando bem indicado, o tratamento das varizes pode:

  • fechar ou retirar as veias com refluxo, que deixam de acumular sangue;
  • aliviar sintomas como peso, cansaço, dor, queimação, cãibras e inchaço no fim do dia;
  • melhorar a aparência das pernas;
  • ajudar a prevenir ou tratar complicações, como manchas escuras, endurecimento da pele, sangramento de varizes e úlceras (feridas) venosas;
  • diminuir o risco de tromboflebite (inflamação com coágulo em uma veia superficial).

As veias tratadas, em geral, não “voltam”. O que pode acontecer é o aparecimento de veias novas ou a piora de veias que eram pequenas na época do tratamento.

Quais são as opções de tratamento

A escolha depende do tamanho e da localização das veias, do resultado do ultrassom com Doppler e das expectativas de cada pessoa. As principais opções são:

  • Medidas clínicas: meias de compressão, atividade física, controle do peso e elevação das pernas. Ajudam nos sintomas, mas não eliminam as varizes.
  • Escleroterapia: injeção de uma substância que irrita e fecha a veia. Pode ser feita em forma líquida, para vasinhos, ou em espuma, para veias maiores.
  • Termoablação: fechamento da veia por dentro com calor, por laser endovenoso ou radiofrequência.
  • Cirurgia convencional: retirada da veia safena doente e/ou das varizes por pequenas incisões.

Muitas vezes, as técnicas são combinadas. Para uma comparação mais detalhada, leia qual o melhor tratamento para varizes: laser, espuma ou cirurgia. Há também um resumo na página de tratamento de varizes.

Por que as varizes podem voltar

O retorno das varizes depois do tratamento é chamado de recidiva. É uma situação conhecida e relativamente frequente ao longo dos anos, com qualquer técnica. As causas mais comuns são:

  • progressão natural da doença: outras veias, que estavam normais ou pouco alteradas, passam a apresentar refluxo;
  • neovascularização: formação de pequenas veias novas no local onde uma veia foi retirada ou fechada;
  • recanalização: uma veia tratada por dentro pode voltar a se abrir parcialmente em alguns casos;
  • tratamento incompleto: pontos de refluxo que não foram identificados ou tratados;
  • fatores que continuam presentes, como novas gestações, ganho de peso e longos períodos parado.

Ter varizes de novo não quer dizer, necessariamente, que o primeiro tratamento “deu errado”. Em muitos casos, é a própria doença seguindo seu curso. O assunto é explicado em detalhes em varizes podem voltar depois da cirurgia?

O que ajuda a manter o resultado

Não há como garantir que novas varizes não vão aparecer, mas alguns hábitos ajudam a cuidar da circulação venosa:

  • caminhar e fazer exercícios que usam a panturrilha, que funciona como uma “bomba” que empurra o sangue para cima;
  • evitar ficar muitas horas parado; se trabalha sentado ou em pé, faça pausas e movimente os tornozelos;
  • manter o peso adequado;
  • elevar as pernas ao fim do dia, quando possível;
  • usar meias de compressão quando indicadas pelo médico;
  • fazer consultas de acompanhamento, para tratar pequenas veias antes que cresçam.

A doença venosa tem estágios

Os médicos usam uma classificação chamada CEAP para descrever a gravidade da doença venosa. De forma simples, ela vai de pernas sem sinais visíveis, passando por vasinhos e varizes, até inchaço, alterações de pele e úlceras. Nem todo mundo passa por todos os estágios, e a progressão costuma ser lenta. Mas quem já tem inchaço, manchas escuras ou endurecimento da pele merece avaliação mais cuidadosa, porque o risco de ferida é maior.

Quando procurar um cirurgião vascular

Vale marcar uma avaliação se você:

  • tem varizes que incomodam, doem ou causam sensação de peso;
  • nota inchaço nas pernas no fim do dia;
  • percebe manchas escuras, coceira ou endurecimento da pele perto do tornozelo;
  • já teve sangramento de uma variz ou uma ferida que demora a fechar;
  • tratou varizes no passado e elas voltaram a aparecer.

Na consulta com o cirurgião vascular, o exame físico é complementado, sempre que necessário, pelo ultrassom com Doppler (eco-Doppler), feito durante a própria consulta. Ele mostra quais veias têm refluxo e ajuda a definir se há indicação de tratamento e qual técnica faz mais sentido. Se você tiver exames anteriores, leve-os. Não é preciso encaminhamento.

Sinais de alerta: dor, inchaço e endurecimento em uma perna só, principalmente na panturrilha, podem indicar trombose e precisam de avaliação médica no mesmo dia. Falta de ar súbita ou dor no peito exigem ir ao pronto-socorro imediatamente. Uma variz que sangra deve ser comprimida com firmeza e a perna elevada; se o sangramento não parar, procure o pronto-socorro.

Referências

  • De Maeseneer MG, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. European Journal of Vascular and Endovascular Surgery. 2022.
  • Gloviczki P, et al. The 2022 Society for Vascular Surgery, American Venous Forum, and American Vein and Lymphatic Society clinical practice guidelines for the management of varicose veins of the lower extremities. Part I. Journal of Vascular Surgery: Venous and Lymphatic Disorders. 2023.
  • National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Varicose veins: diagnosis and management (CG168). 2013.
  • Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). Projeto Diretrizes SBACV — Insuficiência venosa crônica: diagnóstico e tratamento. 2015.

Perguntas frequentes

Depois de tratar, as varizes somem para sempre?

As veias tratadas deixam de funcionar e, em geral, não voltam. Mas a tendência a formar varizes continua, e outras veias podem dilatar com os anos.

Varizes podem ser tratadas só com remédio ou meia?

Meias de compressão e alguns medicamentos podem aliviar sintomas como peso e inchaço, mas não fazem as veias doentes voltarem ao normal. A indicação depende da avaliação.

Se as varizes podem voltar, vale a pena tratar?

Em muitos casos, sim. O tratamento pode aliviar sintomas, melhorar a aparência e reduzir o risco de complicações de pele e de feridas. A decisão é individual.

Varizes não tratadas pioram?

A doença venosa tende a progredir lentamente em parte das pessoas, mas o ritmo varia muito. Nem toda variz leva a complicações.

Conteúdo educativo, que não substitui a consulta médica. A indicação de exames e tratamentos depende de avaliação individual.