Não existe um único “melhor” tratamento para varizes. Laser endovenoso, escleroterapia com espuma e cirurgia convencional são técnicas eficazes, cada uma com vantagens e limitações, e a escolha depende principalmente de quais veias estão doentes, do calibre e do trajeto delas, do que o ultrassom com Doppler mostra e das características e preferências de cada pessoa. Em muitos casos, a melhor estratégia é combinar mais de uma técnica.
Primeiro passo: entender qual veia está doente
As varizes que aparecem na pele muitas vezes são “alimentadas” por uma veia maior, mais profunda, que não aparece: as veias safenas. Quando as válvulas da safena falham, o sangue reflui por ela e enche as varizes da superfície. Tratar só as varizes visíveis, sem cuidar da safena doente, pode levar a uma volta mais rápida do problema.
Por isso, antes de escolher a técnica, é preciso fazer o ultrassom com Doppler (eco-Doppler) venoso. Ele mostra:
- se há refluxo na safena magna (na parte interna da perna) ou na safena parva (atrás da panturrilha);
- o calibre e o trajeto das veias;
- se as veias profundas estão normais;
- se há veias perfurantes ou outras fontes de refluxo.
As principais técnicas
Laser endovenoso (termoablação)
No laser endovenoso, uma fibra fina é introduzida na veia por uma punção, guiada pelo ultrassom. O calor do laser fecha a veia por dentro, e o corpo a absorve com o tempo. A radiofrequência funciona de forma parecida, usando outro tipo de energia. As duas são chamadas de ablação térmica.
- Indicação mais comum: safenas com refluxo e trajeto relativamente reto.
- Vantagens: sem cortes para retirar a safena, anestesia local com ou sem sedação, recuperação em geral mais rápida.
- Limitações: veias muito tortuosas, muito superficiais ou com trechos alterados podem não ser adequadas. As varizes da superfície costumam precisar de tratamento complementar.
Escleroterapia com espuma
Na escleroterapia com espuma, uma medicação esclerosante é misturada com ar ou gás até formar uma espuma, que é injetada na veia, muitas vezes guiada pelo ultrassom. A espuma irrita a parede da veia, que se fecha.
- Indicação mais comum: varizes de calibre médio, veias tortuosas, varizes que voltaram depois de outro tratamento, veias perto de feridas e pessoas com risco maior para cirurgia.
- Vantagens: feita no consultório, sem cortes, retorno rápido às atividades.
- Limitações: em veias muito grossas, a chance de a veia voltar a se abrir é maior, e às vezes são necessárias novas sessões. Pode deixar manchas temporárias na pele.
Cirurgia convencional
Na cirurgia de varizes, a safena doente pode ser retirada, e as varizes são removidas por pequenas incisões (microcirurgia ou flebectomia). É feita em centro cirúrgico, com anestesia.
- Indicação mais comum: safenas muito dilatadas ou tortuosas, varizes grossas e extensas, casos em que as técnicas por dentro da veia não são adequadas.
- Vantagens: técnica consolidada, permite tratar muitas veias no mesmo tempo.
- Limitações: recuperação em geral um pouco mais longa, mais roxos e desconforto nos primeiros dias.
Outras opções
Existem ainda técnicas não térmicas para fechar a safena, como a cola de cianoacrilato (um adesivo de uso médico) e a combinação de dispositivo mecânico com medicação. Elas têm indicações específicas e disponibilidade variável.
Para os vasinhos finos, as telangiectasias, as opções são outras: escleroterapia com líquido e laser transdérmico, aplicado sobre a pele. Veja mais em como tirar vasinhos das pernas.
Comparação resumida
| Laser endovenoso | Espuma | Cirurgia convencional | |
|---|---|---|---|
| Como funciona | Calor fecha a veia por dentro | Medicação em espuma fecha a veia | Retirada da veia |
| Onde é feito | Centro cirúrgico ou sala preparada | Consultório | Centro cirúrgico |
| Anestesia | Local, com ou sem sedação | Em geral nenhuma | Raquianestesia, geral ou local com sedação |
| Cortes | Punção, sem incisões para a safena | Nenhum | Pequenas incisões |
| Recuperação | Em geral rápida | Em geral rápida | Em geral um pouco mais longa |
| Melhor para | Safenas retas com refluxo | Varizes médias, tortuosas ou recidivadas | Veias grossas, tortuosas ou extensas |
Essa tabela é uma simplificação. A mesma pessoa pode ter veias que se beneficiam de técnicas diferentes.
O que dizem as diretrizes
As diretrizes internacionais de sociedades de cirurgia vascular, como a europeia (ESVS) e a americana (SVS), e o instituto britânico NICE, em geral recomendam considerar a ablação térmica endovenosa como primeira opção para tratar a safena com refluxo quando a anatomia é favorável. A escleroterapia com espuma e a cirurgia convencional continuam sendo alternativas válidas, com indicações próprias. Revisões de estudos mostram que as técnicas têm resultados comparáveis em vários aspectos, com diferenças no tempo de recuperação e na chance de nova variz a longo prazo.
Outros fatores que pesam na escolha
- Sintomas e objetivos: alívio de peso e dor, prevenção de complicações ou melhora estética.
- Saúde geral: doenças associadas, uso de anticoagulantes, risco de anestesia.
- Histórico: trombose anterior, varizes que já foram tratadas.
- Rotina: necessidade de voltar logo ao trabalho.
- Cobertura do plano de saúde: nem todas as técnicas têm cobertura obrigatória. Veja o plano de saúde cobre cirurgia de varizes?
Quando procurar um cirurgião vascular
Procure avaliação se as varizes causam dor, peso, inchaço, coceira ou manchas na pele, se já houve sangramento ou ferida, ou se você deseja tratar por motivo estético e quer entender as opções.
Na consulta com o cirurgião vascular, o ultrassom com Doppler, sempre que necessário, é feito durante a própria consulta, o que ajuda a discutir as opções já com o mapa das veias em mãos. Se tiver exames anteriores, leve-os. A decisão sobre a técnica é tomada em conjunto, depois de entender os benefícios e os limites de cada uma.
Sinais de alerta: inchaço e dor em uma perna só, calor e vermelhidão na panturrilha podem indicar trombose e precisam de avaliação no mesmo dia. Falta de ar ou dor no peito exigem pronto-socorro imediatamente.
Referências
- De Maeseneer MG, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. European Journal of Vascular and Endovascular Surgery. 2022.
- Gloviczki P, et al. The 2022 Society for Vascular Surgery, American Venous Forum, and American Vein and Lymphatic Society clinical practice guidelines for the management of varicose veins of the lower extremities. Part I. Journal of Vascular Surgery: Venous and Lymphatic Disorders. 2023.
- National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Varicose veins: diagnosis and management (CG168). 2013.
- Whing J, Nandhra S, Nesbitt C, Stansby G. Interventions for great saphenous vein incompetence. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2021.
Perguntas frequentes
O laser é sempre melhor que a cirurgia?
Não. O laser endovenoso costuma ter recuperação mais rápida, mas nem toda veia é adequada para ele. Em alguns casos, a cirurgia ou a espuma fazem mais sentido.
A espuma serve para qualquer variz?
A espuma pode tratar desde varizes médias até algumas veias maiores, mas em veias muito calibrosas o resultado costuma ser menos duradouro. A indicação depende do eco-Doppler.
Laser endovenoso e laser transdérmico são a mesma coisa?
Não. O endovenoso é aplicado por dentro da veia, para varizes e safenas. O transdérmico é aplicado sobre a pele, para vasinhos.
Dá para combinar técnicas?
Sim, e isso é comum. Por exemplo, fechar a safena com laser e tratar varizes menores com microcirurgia ou espuma, no mesmo tempo ou em etapas.
Conteúdo educativo, que não substitui a consulta médica. A indicação de exames e tratamentos depende de avaliação individual.