Sim, as varizes podem voltar depois da cirurgia ou de qualquer outro tratamento, como laser e espuma. Isso acontece porque a doença venosa é crônica: o tratamento elimina as veias doentes daquele momento, mas a tendência a formar novas varizes continua. Com o passar dos anos, outras veias podem dilatar, ou pequenas veias podem se formar na região tratada. A boa notícia é que a recidiva, quando acontece, também pode ser tratada, e o acompanhamento periódico ajuda a identificar o problema cedo, quando o tratamento costuma ser mais simples.

O que significa recidiva

Os médicos chamam de recidiva (ou varizes recidivadas) o reaparecimento de varizes em uma perna que já foi tratada. Ela pode ser de dois tipos:

  • na mesma região, por veias que se formaram ou se reabriram no local tratado;
  • em outras regiões, por veias que estavam saudáveis na época e passaram a falhar depois.

Nem toda veia que aparece depois do tratamento é uma variz importante. Às vezes, são vasinhos finos, as telangiectasias, que têm impacto mais estético do que de saúde.

Por que as varizes voltam

Progressão da doença

É a causa mais comum. A predisposição familiar e os outros fatores que causaram as primeiras varizes continuam presentes. Com o tempo, as válvulas de outras veias podem enfraquecer. Entenda melhor em varizes têm cura?

Neovascularização

Depois que uma veia é retirada, o corpo pode formar pequenas veias novas no local, principalmente na virilha ou atrás do joelho. Elas podem voltar a conduzir o refluxo e alimentar novas varizes.

Recanalização

Quando a veia é fechada por dentro, com laser, radiofrequência ou espuma, ela pode, em parte dos casos, voltar a se abrir total ou parcialmente. Isso é mais frequente em veias muito calibrosas tratadas com espuma.

Tratamento incompleto

Às vezes, uma fonte de refluxo não foi identificada ou tratada, como uma segunda safena, uma veia perfurante (que liga as veias superficiais às profundas) ou uma veia acessória. Isso reforça a importância de um eco-Doppler bem feito antes do tratamento.

Veias da pelve

Em algumas mulheres, principalmente depois de gestações, varizes na região da pelve e dos ovários podem alimentar varizes na parte interna da coxa, na vulva ou atrás da perna. Quando essa é a origem, pode ser preciso investigar e tratar a pelve, por exemplo com embolização de varizes pélvicas.

Fatores de risco para a volta das varizes

Alguns fatores aumentam a chance de recidiva:

  • histórico familiar de varizes;
  • gestações após o tratamento;
  • excesso de peso ou ganho de peso;
  • trabalho muito tempo em pé ou sentado, sem pausas;
  • sedentarismo, que enfraquece a “bomba” da panturrilha;
  • trombose venosa profunda anterior;
  • doença mais avançada no momento do tratamento, com veias muito grossas ou alterações de pele;
  • varizes pélvicas não diagnosticadas.

Alguns desses fatores não podem ser mudados, como a genética. Outros dependem de hábitos e podem ser trabalhados.

O que ajuda a prevenir

Não há como garantir que as varizes não vão voltar. Mas algumas medidas ajudam a cuidar da circulação e a manter o resultado por mais tempo:

  • Movimente-se. Caminhar, pedalar, nadar e fazer exercícios de panturrilha ajudam o sangue a subir.
  • Faça pausas. Se trabalha sentado, levante-se a cada hora. Se trabalha em pé, alterne o apoio dos pés e movimente os tornozelos.
  • Controle o peso. O excesso de peso aumenta a pressão nas veias das pernas.
  • Eleve as pernas ao fim do dia, quando possível.
  • Use meia de compressão quando indicada. Ela alivia sintomas, principalmente para quem passa muito tempo em pé.
  • Evite calor excessivo nas pernas por longos períodos.
  • Mantenha o acompanhamento. Tratar pequenas veias cedo costuma ser mais simples.

Como é o acompanhamento

O acompanhamento é individual, mas costuma seguir este caminho:

  1. Revisão após o tratamento, em geral nos primeiros meses, muitas vezes com eco-Doppler, para confirmar que as veias tratadas estão fechadas.
  2. Tratamento de complemento, se houver vasinhos ou pequenas varizes residuais, por exemplo com escleroterapia com espuma ou escleroterapia líquida.
  3. Consultas periódicas, com intervalos definidos pelo médico, ou antes disso se surgirem sintomas ou novas veias.

Durante uma gestação, as varizes podem piorar temporariamente. Veja os cuidados em varizes na gravidez.

E se as varizes voltarem?

Se as varizes reaparecerem, o primeiro passo é uma nova avaliação com eco-Doppler, para entender de onde vem o refluxo. As opções de tratamento são as mesmas usadas no primeiro tratamento, escolhidas de acordo com o caso:

  • escleroterapia com espuma, muito usada em veias tortuosas ou em áreas já operadas;
  • laser endovenoso ou radiofrequência, se houver uma safena ou veia reta ainda com refluxo;
  • microcirurgia para retirar varizes;
  • investigação e tratamento de varizes pélvicas, quando essa for a origem.

Veja a comparação entre as técnicas em laser, espuma ou cirurgia.

Quando procurar um cirurgião vascular

Procure avaliação se, depois de tratar varizes, você notar:

  • novas veias dilatadas ou retorno das antigas;
  • volta da sensação de peso, dor ou inchaço nas pernas;
  • manchas escuras, coceira ou endurecimento da pele perto do tornozelo;
  • varizes na parte interna da coxa, na vulva ou nas nádegas, principalmente depois de gestações.

Na consulta com o cirurgião vascular, o ultrassom com Doppler, sempre que necessário, é feito durante a própria consulta. Leve os relatórios e exames do tratamento anterior, se tiver: eles ajudam a entender o que foi feito e o que mudou.

Sinais de alerta: dor e inchaço súbitos em uma perna só, com calor ou vermelhidão, podem indicar trombose e precisam de avaliação no mesmo dia. Falta de ar ou dor no peito exigem pronto-socorro imediatamente. Uma variz que sangra deve ser comprimida e a perna elevada; se não parar, procure atendimento de urgência.

Referências

  • De Maeseneer MG, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. European Journal of Vascular and Endovascular Surgery. 2022.
  • Gloviczki P, et al. The 2022 Society for Vascular Surgery, American Venous Forum, and American Vein and Lymphatic Society clinical practice guidelines for the management of varicose veins of the lower extremities. Part II. Journal of Vascular Surgery: Venous and Lymphatic Disorders. 2024.
  • Whing J, Nandhra S, Nesbitt C, Stansby G. Interventions for great saphenous vein incompetence. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2021.
  • National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Varicose veins: diagnosis and management (CG168). 2013.

Perguntas frequentes

Se as varizes voltaram, a cirurgia foi mal feita?

Não necessariamente. Na maioria das vezes, a volta das varizes está ligada à progressão natural da doença venosa, e não a uma falha do procedimento.

Varizes que voltam podem ser tratadas de novo?

Sim. Depois de um novo eco-Doppler, é possível usar escleroterapia com espuma, laser endovenoso, microcirurgia ou outras técnicas, conforme o caso.

Usar meia de compressão impede que as varizes voltem?

A meia ajuda a aliviar sintomas como peso e inchaço, mas não há garantia de que impeça novas varizes. Ela é uma das medidas de cuidado, junto com atividade física e controle do peso.

De quanto em quanto tempo devo voltar ao cirurgião vascular?

Depende do caso. Em geral, há uma revisão nos primeiros meses após o tratamento e depois consultas periódicas, ou antes se surgirem novos sintomas ou veias.

Conteúdo educativo, que não substitui a consulta médica. A indicação de exames e tratamentos depende de avaliação individual.