Os vasinhos das pernas costumam ser tratados com escleroterapia, que são aplicações de um medicamento dentro do vaso para fechá-lo, ou com laser transdérmico, que age através da pele. As duas técnicas podem ser usadas isoladamente ou combinadas. Em geral são necessárias algumas sessões, com intervalo entre elas, e o resultado aparece de forma gradual. Antes de escolher o método, é importante avaliar se existem veias maiores “alimentando” os vasinhos, porque isso muda o plano de tratamento.
O que são os vasinhos
O nome técnico dos vasinhos é telangiectasias: pequenos vasos dilatados, vermelhos ou arroxeados, com até 1 milímetro de espessura, que aparecem na pele como linhas finas ou “aranhas”. Muitas vezes eles estão ligados a veias reticulares, que são veias azuladas um pouco mais grossas (de 1 a 3 milímetros), visíveis sob a pele.
Os vasinhos são muito comuns, principalmente em mulheres. Entre os fatores associados estão:
- predisposição familiar;
- hormônios (gestação, variações hormonais);
- ficar muito tempo em pé ou sentado;
- idade.
Na maioria das pessoas, os vasinhos são uma questão estética. Algumas, porém, sentem ardor, coceira ou peso nas pernas. Quando esses sintomas são mais intensos, pode haver uma insuficiência venosa associada, que vale investigar. Entenda melhor esse quadro no artigo sobre perna pesada e cansada.
Antes de tratar: a avaliação
Na consulta com o cirurgião vascular, o médico examina as pernas e procura:
- veias reticulares que alimentam os vasinhos;
- varizes maiores;
- sinais de refluxo nas veias safenas, que são as veias superficiais principais da perna.
Sempre que necessário, o ultrassom com Doppler (eco-Doppler) é feito durante a própria consulta. Esse passo é importante: se houver refluxo em uma veia maior e ele não for tratado, os vasinhos tendem a reaparecer mais rápido. Nesses casos, pode ser indicado primeiro o tratamento de varizes.
Escleroterapia
Na escleroterapia, o médico injeta com uma agulha bem fina uma substância esclerosante dentro do vasinho. Essa substância irrita a parede interna do vaso, que se fecha e, com o tempo, é absorvido pelo organismo.
- É feita no consultório, sem anestesia na maioria das vezes.
- Cada sessão costuma durar poucos minutos a meia hora, dependendo da área tratada.
- A pessoa volta às atividades habituais no mesmo dia, em geral.
- Pode ser usada a forma líquida, mais comum para vasinhos, ou a espuma, mais usada em veias reticulares e varizes de maior calibre. Nesse caso, fala-se em escleroterapia com espuma.
Depois da aplicação, é comum o médico orientar o uso de meia de compressão por um período e caminhadas leves.
Laser transdérmico
No laser transdérmico, a luz atravessa a pele e é absorvida pelo sangue dentro do vaso. O calor gerado danifica a parede do vasinho, que se fecha. Não há agulha.
- Costuma ser uma opção para vasinhos muito finos, para quem tem receio de agulhas ou não pode receber a substância esclerosante.
- A sensação é de calor ou de um “estalo” na pele; alguns aparelhos têm resfriamento para diminuir o desconforto.
- Pele bronzeada aumenta o risco de queimaduras e manchas, por isso o laser costuma ser evitado nessa situação.
Técnicas combinadas
Em muitos casos, as técnicas são usadas juntas: por exemplo, laser e escleroterapia na mesma sessão ou em sessões alternadas. A ideia é aproveitar o que cada uma tem de melhor para diferentes calibres de vasos.
Comparando as opções
| Escleroterapia | Laser transdérmico | |
|---|---|---|
| Como age | substância injetada fecha o vaso | calor da luz fecha o vaso |
| Agulha | sim, bem fina | não |
| Melhor para | vasinhos e veias reticulares | vasinhos finos |
| Manchas | podem ocorrer | tendem a ser menos frequentes |
| Pele bronzeada | cuidado com o sol depois | em geral, não deve ser feito |
| Sessões | geralmente mais de uma | geralmente mais de uma |
Uma revisão Cochrane publicada em 2021 não encontrou diferença clara no desaparecimento dos vasinhos entre laser e escleroterapia, mas observou que o laser pode causar menos manchas. A qualidade dos estudos ainda é limitada, e por isso a escolha é feita caso a caso.
O que esperar das sessões
É importante ter expectativas realistas:
- O resultado é gradual. Logo depois da sessão, os vasinhos podem ficar mais vermelhos ou roxos, e o clareamento acontece ao longo de semanas.
- Em geral são necessárias algumas sessões, com intervalo entre elas. O número varia conforme a quantidade de vasos, o calibre e a resposta de cada pessoa. Veja quantas sessões de escleroterapia são necessárias.
- O objetivo é melhorar, e não necessariamente eliminar todos os vasinhos.
- Novos vasinhos podem surgir com o tempo, porque a tendência é crônica. Sessões de manutenção são comuns.
Efeitos que podem acontecer
- pequenos hematomas (manchas roxas) e inchaço no local, que costumam sumir em dias ou semanas;
- manchas acastanhadas (hiperpigmentação) sobre o trajeto do vaso, que em geral clareiam ao longo de meses;
- “matting”: surgimento de uma rede de vasinhos muito finos ao redor da área tratada, que pode ser tratada depois;
- raramente, pequenas feridas na pele, reações alérgicas ou inflamação de uma veia.
A exposição ao sol depois do tratamento merece atenção especial. Leia pode tomar sol depois de secar vasinhos?.
Quando o tratamento costuma ser adiado
- durante a gestação;
- com trombose recente;
- com infecção ou ferida na pele da região;
- com a pele bronzeada, no caso do laser.
Outras situações, como alergias e doenças que afetam a coagulação, são avaliadas individualmente.
Quando procurar um cirurgião vascular
Vale procurar avaliação se os vasinhos incomodam você, se vêm acompanhados de dor, peso, inchaço ou coceira, ou se há varizes maiores junto. Também é recomendável avaliar antes de iniciar qualquer tratamento estético nas pernas, para identificar veias alimentadoras e refluxo que precisam ser considerados. Não é preciso encaminhamento, e, se você tiver exames anteriores, pode levá-los.
Referências
- Nakano LCU, et al. Treatment for telangiectasias and reticular veins. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2021.
- Rabe E, et al. European guidelines for sclerotherapy in chronic venous disorders. Phlebology. 2014.
- De Maeseneer MG, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. European Journal of Vascular and Endovascular Surgery. 2022.
Perguntas frequentes
Vasinho nas pernas é perigoso?
Na maioria das vezes, não. Os vasinhos costumam ser uma questão estética, mas podem vir acompanhados de sintomas ou de varizes maiores, por isso vale uma avaliação antes de tratar.
O que é melhor para vasinhos: laser ou escleroterapia?
Não existe uma opção melhor para todos. Os estudos mostram resultados parecidos; a escolha depende do tipo e do calibre dos vasos, da cor da pele e da preferência de cada pessoa, e às vezes as técnicas são combinadas.
Os vasinhos voltam depois do tratamento?
Os vasos tratados que fecham não costumam voltar, mas novos vasinhos podem surgir com o tempo, porque a tendência é crônica. Sessões de manutenção são comuns.
Tratamento de vasinhos dói?
Em geral, causa desconforto leve, como picadas ou sensação de calor. A tolerância varia de pessoa para pessoa, e o médico pode usar recursos para deixar o procedimento mais confortável.
Conteúdo educativo, que não substitui a consulta médica. A indicação de exames e tratamentos depende de avaliação individual.