Não existe um número fixo de sessões de escleroterapia. Na maioria dos casos, são necessárias algumas sessões, com um intervalo de algumas semanas entre elas, e o total depende da quantidade de vasinhos, do calibre dos vasos, da presença de veias maiores alimentando essa rede e de como cada organismo responde. Por isso, o mais honesto é pensar no tratamento como um processo gradual, com reavaliação a cada etapa, e não como um pacote com número de sessões definido desde o início.
Como a escleroterapia funciona e por que leva tempo
Na escleroterapia, o médico injeta uma substância esclerosante dentro dos vasinhos (telangiectasias) ou das veias reticulares, que são as veias azuladas um pouco mais grossas. A substância irrita a parede interna do vaso, que se fecha. O vaso fechado não desaparece na hora: ele é absorvido pelo organismo aos poucos, ao longo de semanas.
Isso explica duas coisas:
- o resultado de uma sessão só pode ser avaliado depois de algumas semanas. Logo após a aplicação, a área pode parecer até pior, com vermelhidão ou manchas roxas;
- não dá para tratar tudo de uma vez. Em cada sessão, o médico trata uma quantidade segura de vasos e depois observa como eles responderam.
Do que depende o número de sessões
Quantidade e extensão dos vasinhos
Uma área pequena, com poucos vasos, pode melhorar com poucas sessões. Redes extensas nas duas pernas costumam exigir mais etapas.
Calibre e tipo dos vasos
- Veias reticulares (azuladas, de 1 a 3 mm) em geral são tratadas primeiro, porque muitas vezes alimentam os vasinhos vermelhos. Às vezes o médico usa a escleroterapia com espuma nelas.
- Vasinhos muito finos podem ser difíceis de puncionar com agulha e, às vezes, respondem melhor ao laser transdérmico ou à combinação das técnicas.
Veias alimentadoras e refluxo
Se houver refluxo em uma veia maior, como uma safena, e ele não for tratado, os vasinhos tendem a reaparecer e o número de sessões aumenta. Por isso, a avaliação com ultrassom com Doppler (eco-Doppler) é importante antes de começar. Sempre que necessário, esse exame é feito durante a própria consulta.
Resposta individual
Duas pessoas com vasinhos parecidos podem responder de forma diferente à mesma substância. Tipo de pele, tendência a manchas e ao aparecimento de novos vasinhos (“matting”) também influenciam.
Hábitos e cuidados após a sessão
Seguir as orientações pós-procedimento, como usar meia de compressão quando indicada, caminhar e proteger a pele do sol, ajuda a obter o melhor resultado possível de cada sessão.
Intervalo entre as sessões
O intervalo entre as sessões costuma ser de algumas semanas na mesma região. Esse tempo serve para:
- o organismo absorver os vasos tratados;
- os hematomas e a inflamação local desaparecerem;
- o médico avaliar o que fechou, o que precisa ser reaplicado e se surgiram manchas ou matting.
Regiões diferentes da perna às vezes podem ser tratadas em sessões mais próximas. O intervalo ideal é definido pelo médico conforme a resposta de cada pessoa.
O que é uma expectativa realista
Ajuda muito começar o tratamento sabendo o que ele pode e o que não pode fazer:
| Expectativa realista | Expectativa pouco realista |
|---|---|
| melhora visível e progressiva dos vasinhos | pernas sem nenhum vaso aparente |
| algumas sessões ao longo de meses | resultado definitivo em uma sessão |
| manchas passageiras em algumas pessoas | nenhuma reação na pele |
| possibilidade de novos vasinhos com o tempo | vasinhos que nunca mais aparecem |
| sessões de manutenção periódicas | tratamento único para a vida toda |
Os vasos que fecham bem não costumam voltar. Mas a tendência a formar vasinhos é crônica, ligada à genética, aos hormônios e ao estilo de vida. Por isso, novos vasinhos podem surgir em outros pontos, e muitas pessoas fazem sessões de manutenção de tempos em tempos.
Como se preparar para cada sessão
Alguns cuidados simples ajudam cada sessão a render mais:
- no dia da aplicação, evite passar creme ou hidratante nas pernas, porque a pele oleosa dificulta a visualização e a fixação dos curativos;
- leve a meia de compressão, se ela tiver sido indicada, para vestir logo após o procedimento;
- informe ao médico se começou algum remédio novo, se está grávida ou se teve alguma infecção recente;
- evite se expor ao sol nos dias anteriores, principalmente se for fazer laser junto;
- use roupas confortáveis, que facilitem o acesso às pernas.
Efeitos que podem aparecer entre as sessões
- Hematomas e inchaço no local das picadas, que em geral somem em dias ou semanas.
- Manchas acastanhadas (hiperpigmentação) no trajeto do vaso tratado, que costumam clarear ao longo de meses. Saiba mais em pode tomar sol depois de secar vasinhos?.
- Matting: uma rede de vasinhos bem finos ao redor da área tratada, que pode precisar de tratamento posterior.
- Pequenos nódulos endurecidos sobre veias reticulares, por sangue retido dentro do vaso, que o médico pode drenar em uma sessão seguinte.
Procure o médico antes da próxima sessão se houver dor intensa, ferida na pele ou uma veia vermelha, quente e endurecida que está aumentando. Inchaço e dor em uma perna só, ou falta de ar e dor no peito, exigem ir ao pronto-socorro imediatamente, porque podem indicar trombose ou embolia, complicações raras, mas graves.
Quando procurar um cirurgião vascular
Vale procurar avaliação antes de iniciar a escleroterapia, para que o plano de sessões leve em conta veias alimentadoras e refluxo, e também se você já fez várias sessões sem a melhora esperada. Nesses casos, pode ser útil rever a técnica, avaliar a combinação com laser ou investigar varizes maiores. Veja também como tirar vasinhos das pernas para conhecer as opções.
Referências
- Nakano LCU, et al. Treatment for telangiectasias and reticular veins. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2021.
- Rabe E, et al. European guidelines for sclerotherapy in chronic venous disorders. Phlebology. 2014.
- Schwartz L, Maxwell H. Sclerotherapy for lower limb telangiectasias. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2011.
Perguntas frequentes
Uma sessão de escleroterapia resolve?
Às vezes, em áreas pequenas, uma sessão pode trazer boa melhora. Mas, na maioria dos casos, são necessárias algumas sessões para alcançar o resultado desejado.
Qual o intervalo entre as sessões de escleroterapia?
Em geral, algumas semanas. Esse tempo permite que o corpo absorva os vasos tratados e que o médico avalie o resultado antes de uma nova aplicação.
Depois de terminar as sessões, preciso voltar?
Muitas pessoas fazem sessões de manutenção de tempos em tempos, porque novos vasinhos podem aparecer. A frequência depende de cada caso.
Por que alguns vasinhos não somem com a escleroterapia?
Alguns vasos são muito finos para receber a agulha, outros são alimentados por veias maiores com refluxo. Nesses casos, o médico pode ajustar a técnica, combinar com laser ou tratar primeiro a veia alimentadora.
Conteúdo educativo, que não substitui a consulta médica. A indicação de exames e tratamentos depende de avaliação individual.