O ideal é evitar sol direto nas pernas nas semanas seguintes ao tratamento dos vasinhos e continuar protegendo a pele enquanto houver marcas roxas ou manchas. Isso vale tanto para a escleroterapia quanto para o laser transdérmico. A pele que acabou de ser tratada está inflamada e, exposta ao sol, pode escurecer. Além disso, as manchas acastanhadas que às vezes surgem no trajeto dos vasos tratados tendem a ficar mais visíveis e a demorar mais para clarear. Não é uma proibição absoluta de sair de casa: é uma questão de proteger a região e adiar a praia, a piscina e o bronzeamento.

Por que surgem manchas depois de secar vasinhos

“Secar vasinhos” é o nome popular para o tratamento das telangiectasias (vasinhos) com escleroterapia ou laser. Depois do procedimento, o vaso tratado se fecha e é absorvido aos poucos pelo organismo.

Em algumas pessoas, aparece uma mancha acastanhada sobre o trajeto do vaso. Esse efeito se chama hiperpigmentação e é um dos efeitos colaterais mais conhecidos da escleroterapia. A principal causa é o depósito de hemossiderina, um pigmento que contém ferro e que se forma quando glóbulos vermelhos do sangue saem do vaso e se desfazem na pele. É um processo parecido com o de um hematoma que demora a sumir.

Alguns fatores parecem aumentar a chance de manchas:

  • vasos de maior calibre ou com mais sangue retido dentro deles;
  • tipo e concentração da substância usada;
  • pele mais morena ou com tendência a manchar;
  • pequenos coágulos que ficam presos dentro do vaso tratado;
  • inflamação intensa no local.

No laser, o mecanismo é um pouco diferente: o calor pode inflamar a pele e estimular a produção de melanina, o pigmento natural da pele. Estudos que compararam as técnicas sugerem que o laser pode causar menos manchas que a escleroterapia, embora as evidências ainda sejam limitadas.

Qual é o papel do sol

O sol não é a causa principal das manchas da escleroterapia, mas pode piorá-las:

  • a pele inflamada reage ao sol produzindo mais melanina, o que chamamos de pigmentação pós-inflamatória;
  • a mancha de hemossiderina somada ao escurecimento pelo sol fica mais aparente;
  • o bronzeado ao redor pode aumentar o contraste com as áreas tratadas.

No caso do laser, o cuidado é ainda maior antes do tratamento: a pele bronzeada absorve mais a luz do laser, o que aumenta o risco de queimaduras, bolhas e manchas. Por isso, em geral, o laser transdérmico não é feito em pele recém-bronzeada, e é preciso esperar o bronzeado passar.

Cuidados com o sol depois do tratamento

  • Evite exposição direta das pernas ao sol nas semanas seguintes, principalmente praia, piscina e bronzeamento.
  • Use protetor solar de amplo espectro nas áreas tratadas quando as pernas ficarem expostas, reaplicando conforme a orientação do produto.
  • Cubra as pernas com roupas quando possível. A meia de compressão, quando indicada, também funciona como barreira.
  • Não faça bronzeamento artificial, que também não é recomendado de forma geral.
  • Mantenha a proteção enquanto houver marcas roxas ou manchas, mesmo que já tenham se passado algumas semanas.

O prazo exato de proteção varia conforme a técnica, a pele e a resposta de cada pessoa, e deve ser combinado com o médico. Por esse motivo, muitas pessoas preferem fazer as sessões nos meses mais frios, quando fica mais fácil evitar o sol e usar meia de compressão. Mas o tratamento pode ser feito em qualquer época, desde que os cuidados sejam seguidos.

Outros cuidados pós-procedimento

Além da proteção solar, as orientações mais comuns após a escleroterapia incluem:

  • usar a meia de compressão pelo tempo indicado pelo médico, quando prescrita;
  • caminhar no mesmo dia e nos seguintes, o que ajuda a circulação;
  • evitar, nos primeiros dias, atividades físicas muito intensas, sauna, banhos muito quentes e depilação com cera quente nas áreas tratadas;
  • não coçar nem espremer as áreas tratadas;
  • voltar para a reavaliação na data combinada, quando o médico pode drenar pequenos coágulos presos nos vasos, o que ajuda a diminuir o risco de manchas.

Veja também quantas sessões de escleroterapia são necessárias e o intervalo entre elas.

Quanto tempo a mancha demora para sair

Na maioria dos casos, a hiperpigmentação clareia aos poucos ao longo de meses. Em algumas pessoas, demora mais de um ano e, raramente, pode persistir. Durante esse período:

  • a proteção solar continua importante;
  • não use cremes clareadores, ácidos ou tratamentos estéticos por conta própria, que podem irritar a pele;
  • se a mancha incomodar muito ou não clarear, converse com o médico, que pode avaliar opções específicas para cada caso.

É importante diferenciar essa mancha localizada, no trajeto do vaso tratado, de manchas escuras mais amplas no tornozelo e na parte de baixo da perna, que podem ser sinal de insuficiência venosa crônica. Saiba mais em mancha escura na perna pode ser circulação?.

Quando procurar o médico

Procure o médico que fez o tratamento se houver:

  • mancha que escurece ou aumenta em vez de clarear;
  • bolha, ferida ou queimadura na pele depois do laser ou da escleroterapia;
  • veia endurecida, vermelha, quente e dolorida;
  • dor que aumenta com os dias.

Sinais de alerta: inchaço e dor em uma perna só, ou falta de ar e dor no peito após o procedimento, exigem ir ao pronto-socorro imediatamente. São complicações raras, mas podem indicar trombose ou embolia.

Quando procurar um cirurgião vascular

Se você pretende tratar os vasinhos, uma consulta com o cirurgião vascular ajuda a escolher a técnica mais adequada ao seu tipo de pele e ao calibre dos vasos, planejar a época do tratamento e identificar veias maiores que precisam de atenção. Sempre que necessário, o ultrassom com Doppler é feito durante a própria consulta. Conheça as opções em como tirar vasinhos das pernas.

Referências

  • Gillet JL. Complications and side effects: European Guidelines for Sclerotherapy in Chronic Venous Disorders. Phlebology. 2014.
  • Rabe E, et al. European guidelines for sclerotherapy in chronic venous disorders. Phlebology. 2014.
  • Nakano LCU, et al. Treatment for telangiectasias and reticular veins. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2021.

Perguntas frequentes

Quanto tempo depois da escleroterapia posso tomar sol?

O mais comum é orientar evitar sol direto nas pernas nas semanas seguintes e manter a proteção enquanto houver marcas roxas ou manchas. O prazo exato deve ser combinado com o médico.

Posso fazer escleroterapia no verão?

Pode, desde que seja possível proteger as pernas do sol depois. Muitas pessoas preferem os meses mais frios porque fica mais fácil evitar a exposição e usar meia de compressão.

A mancha depois de secar vasinhos sai?

Na maioria dos casos, clareia aos poucos ao longo de meses. Em algumas pessoas demora mais de um ano e, raramente, pode persistir. O médico pode avaliar formas de acelerar o clareamento.

Pode fazer laser nos vasinhos com a perna bronzeada?

Em geral, não. A pele bronzeada absorve mais a luz do laser, o que aumenta o risco de queimaduras e manchas. Costuma-se aguardar o bronzeado passar.

Conteúdo educativo, que não substitui a consulta médica. A indicação de exames e tratamentos depende de avaliação individual.