Doenças arteriais

Angioplastia das artérias das pernas

A angioplastia é uma opção para tratar determinados estreitamentos ou obstruções nas artérias das pernas. Utiliza cateteres e balões e, em algumas situações, stents. A indicação considera sintomas, exames e as demais possibilidades de tratamento.

Conteúdo revisado por Dr. Gustavo Resstel em 23 de setembro de 2026.

Quais problemas são avaliados

A doença arterial obstrutiva periférica acontece quando as artérias das pernas ficam estreitadas ou obstruídas, reduzindo a chegada de sangue aos músculos e à pele. A aterosclerose, acúmulo de placas de gordura e cálcio na parede das artérias, é uma causa frequente, mas não a única.

O sintoma mais característico é a claudicação: dor, cansaço ou câimbra na panturrilha, coxa ou nádega ao caminhar, que melhora com o repouso. Em fases mais avançadas, pode haver dor em repouso e feridas que não cicatrizam. Tabagismo, diabetes, hipertensão e colesterol alto estão entre os principais fatores de risco.

Em vídeo

Vídeo · 54 sDor ao caminhar pode ser doença arterialO caso de um paciente com obstrução da artéria femoral tratada por via endovascular.

Quando a avaliação pode ajudar

  • Dor nas pernas ao caminhar que obriga a parar e melhora com repouso.
  • Dor nos pés em repouso, principalmente à noite.
  • Feridas nos pés ou nas pernas que não cicatrizam.
  • Pulsos fracos ou ausentes, ou pés frios e pálidos.

Como funciona

A avaliação pode levar a diferentes caminhos: acompanhamento clínico, controle dos fatores de risco, medicamentos, programa de caminhada ou, em casos selecionados, uma intervenção como a angioplastia. A presença de sintomas não significa, por si só, indicação do procedimento.

A angioplastia é um procedimento endovascular: o acesso é feito por punção de uma artéria. Com auxílio de raios X e contraste, o médico leva um fio-guia e um cateter até o ponto de estreitamento, onde um balão é inflado para abrir a artéria. Em algumas situações, é implantado um stent (pequena malha metálica) ou são usados dispositivos revestidos com medicamento.

O local, a anestesia e a alta são definidos conforme o caso.

Avaliação antes do tratamento

A avaliação inclui histórico, exame dos pulsos e o índice tornozelo-braquial. O ultrassom com Doppler arterial, feito na consulta quando necessário, e exames como angiotomografia ou angiorressonância mostram a localização e a extensão das obstruções.

Como a aterosclerose pode afetar outras artérias do corpo, também são avaliados o coração, a função dos rins (pelo uso de contraste) e os fatores de risco.

Benefícios e limitações

Benefícios possíveis

  • Pode melhorar a distância de caminhada e aliviar a dor em casos selecionados.
  • Pode contribuir para a cicatrização de feridas quando a falta de circulação é um fator importante.
  • Procedimento por punção.

Limitações

  • As artérias tratadas podem voltar a estreitar com o tempo, às vezes exigindo novo procedimento.
  • Nem todas as obstruções são adequadas para tratamento endovascular.
  • Não resolve a doença de forma definitiva nem substitui o controle dos fatores de risco.

Riscos e cuidados

Riscos possíveis

  • Hematoma ou sangramento no local da punção.
  • Lesão da artéria tratada, que pode exigir tratamento adicional.
  • Deslocamento de fragmentos para artérias mais distantes.
  • Alteração da função dos rins pelo contraste, com risco maior em quem já tem doença renal.
  • Reações ao contraste e, raramente, necessidade de cirurgia de urgência.

Cuidados

  • Usar os medicamentos prescritos e não interromper sem orientação.
  • Parar de fumar, uma das medidas mais importantes para o resultado.
  • Seguir as orientações sobre caminhada e retorno às atividades.
  • Procurar atendimento se houver dor, frieza ou palidez súbita na perna, ou sangramento no local da punção.

Os riscos variam conforme cada pessoa e são discutidos individualmente na consulta.

Recuperação e acompanhamento

Após o procedimento, há um período de repouso para proteger o local da punção. O momento da alta e o retorno às atividades dependem do procedimento realizado e da evolução. O acompanhamento continua com consultas e exames periódicos, como ultrassom com Doppler, para verificar se a artéria permanece aberta.

Alternativas discutidas na consulta

  • Tratamento clínico com medicamentos e controle dos fatores de risco.
  • Programa de caminhada supervisionada, especialmente na claudicação.
  • Cirurgia aberta de revascularização, em casos selecionados.

Perguntas frequentes

Toda obstrução precisa de angioplastia?

Não. Muitas situações são acompanhadas com controle dos fatores de risco, medicamentos e caminhada. A angioplastia é considerada conforme os sintomas, os exames e o risco para a perna.

O stent é sempre necessário?

Não. Em algumas situações, o balão é suficiente; em outras, o stent ajuda a manter a artéria aberta. Isso é decidido durante o planejamento e o próprio procedimento.

Como é definida a alta?

Depende do procedimento realizado, do local da punção e da evolução nas primeiras horas.

O acompanhamento continua após o procedimento?

Sim. A doença arterial é crônica, e o acompanhamento com consultas e exames é parte do tratamento.

Este conteúdo tem finalidade educativa. A indicação de exames e tratamentos depende de avaliação médica individual.

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